Está correto “trocar correspondências”?

DÚVIDA RÁPIDA. O casal trocava correspondências ou cartas?

O casal trocava cartas. Vamos entender por quê. Convém lembrar que “correspondência”, em primeiro lugar, é o ato de “corresponder”, o que pressupõe uma relação de reciprocidade. Todos sabemos como é bom ter um amor correspondido e como é importante corresponder às expectativas que depositam em nós.

Muito bem. A correspondência, além de ser, de modo geral, o ato de corresponder, é o intercâmbio de cartas ou mensagens promovido por meio de um serviço. Nesse sentido, é correto dizer, por exemplo, que a correspondência do casal se estendeu por vários anos. Isso quer dizer que houve entre eles durante esse período uma troca de cartas.

Não se diga, portanto, “troca de correspondências”. Quem assim procede está tomando “correspondência” como se fosse um simples sinônimo de “carta”. Não é, mas é correto empregar “correspondência” como conjunto de cartas (Você pode recolher a minha correspondência durante as próximas semanas?).

Vejamos o fragmento abaixo:

De acordo com a nova medida, o petista agora terá acesso a anexos do acordo de leniência, cópia das trocas de correspondências entre integrantes da força-tarefa e outras autoridades, inclusive no exterior.

O autor do texto cometeu um pequeno equívoco, aliás, bem comum. Ele poderia ter dito que o “petista” (é ao ex-presidente Lula que o texto se refere) terá acesso à cópia da troca de mensagens ou de cartas, se for o caso. Note que “troca” deveria estar no singular, pois a palavra, em si, indica um movimento recíproco. Vejamos:

De acordo com a nova medida, o petista agora terá acesso a anexos do acordo de leniência, bem como à cópia da troca de mensagens entre integrantes da força-tarefa e outras autoridades, inclusive no exterior.

É muito comum usarmos o termo “correspondência” para nos referirmos a coletâneas de cartas trocadas por escritores ou outros artistas. É famosa entre nós a correspondência entre os escritores modernistas Mário de Andrade (1893-1945) e Manuel Bandeira (1886-1968), meio pelo qual discutiam diversas questões de literatura e da cultura da época.

Capa de Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira

Publicado por Thais Nicoleti

Thaís Nicoleti é formada em português e linguística pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e licenciada pela Faculdade de Educação da mesma universidade.

Deixe um comentário