GRAMATICAIS. Um interessante caso de concordância verbal é aquele em que o sujeito é composto de dois ou mais verbos no infinitivo. Períodos que contêm essa estrutura costumam provocar dúvida: Beber muita água e praticar exercícios diariamente faz bem à saúde… ou fazem bem à saúde? Que diz a sua intuição?
Vejamos um fragmento extraído de uma notícia de jornal, em que o redator fez o seguinte:
De fato, negar, ignorar ou banalizar certos temas têm um custo altíssimo para a humanidade.
O redator, nesse caso, não pôde socorrer-se do ouvido, por assim dizer, pois as formas “tem” (singular) e “têm” (plural) distinguem-se unicamente pela grafia. É possível, então, que tenha buscado analogia com a regra do sujeito composto (que leva o verbo para o plural), afinal o sujeito do verbo “ter” no período acima é, de fato, composto de três núcleos. Ocorre, porém, que esses núcleos são infinitivos (negar, ignorar ou banalizar), o que vai mudar o critério de concordância.
Fossem três substantivos, aí sim, o verbo se flexionaria (A negação, a ignorância ou a banalização de certos temas têm um custo altíssimo), mas os infinitivos comportam-se como um conjunto de ações, que, em bloco, funcionam como sujeito de um verbo que se manterá no singular. No trecho em questão, teríamos, então, a forma “tem”, sem o acento gráfico indicador da flexão de número. Assim:
De fato, negar, ignorar ou banalizar certos temas tem um custo altíssimo para a humanidade.
Quanto à nossa frase do primeiro parágrafo, acertou quem apostou na primeira versão:
Beber muita água e praticar exercícios diariamente faz bem à saúde.
Essa regra não se aplica, porém, a infinitivos que contenham ideias opostas, pois, naturalmente, estas não poderiam ser tomadas “em bloco”. Por exemplo:
- Nascer e morrer são nossas únicas certezas.
- Ganhar e perder fazem parte do jogo.
Fique atento ao uso dos infinitivos como sujeito. Mantenha o verbo principal no singular, exceto se os infinitivos forem antônimos. Certo?