Prefixos terminados em “-r”

GRAMATICAIS. Depois de consolidado o Acordo Ortográfico de 1990, têm aparecido com frequência nos textos da imprensa grafias insólitas, que sugerem alteração na pronúncia das palavras, coisa que não poderia ocorrer, pois somente a ortografia é objeto de convenção. Vejamos um exemplo recente:

Artista do Colorado (EUA) usa tecnologia que transforma frases de texto em desenhos hiperrealistas

É provável que esse erro seja decorrente do aprendizado precário das novas regras, já que, de fato, muitas palavras passaram a ser escritas com “rr” depois do Acordo. Vamos ver qual é a confusão que vem ocorrendo.

Os prefixos terminados em vogal postos antes de uma palavra iniciada por “r” pedem, de fato, um segundo “r” como consoante de ligação. Assim: auto + retrato = autorretrato, multi + religioso = multirreligioso, anti+ racista = antirracista. Essa regra ortográfica visa a preservar a pronúncia da palavra em face da supressão do hífen. Caso se mantivesse um só “r”, teríamos leitura diferente (veja-se, a propósito, a diferença de pronúncia entre “carro” e “caro”). Até aí, tudo bem, certo?

O problema aparece quando o próprio prefixo termina em “r” (hiper-, ciber-, inter-, super-). Nesses casos, se o termo posterior começar com a letra “r”, usaremos o hífen, preservando a pronúncia: hiper-realista, ciber-realidade, inter-religioso, super-rico.  Dessa forma, cada “r” é pronunciado separadamente. Vale reforçar: uma reforma ortográfica muda a grafia das palavras dentro do sistema vigente, não a sua pronúncia. Assim:

Artista do Colorado (EUA) usa tecnologia que transforma frases de texto em desenhos hiper-realistas

A imagem que ilustra esta publicação é um desenho hiper-realista de Néstor Canavarro.

Publicado por Thais Nicoleti

Thaís Nicoleti é formada em português e linguística pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e licenciada pela Faculdade de Educação da mesma universidade.

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