BÁSICO E IMPORTANTE. DÚVIDA RÁPIDA. O uso de “há” ou “a” na indicação de tempo costuma trazer dúvidas. O erro mais comum consiste em usar a preposição “a” onde caberia uma forma do verbo “haver”.
Vejamos um trecho extraído de recente matéria jornalística:
Ao chegar à terceira idade, o brasileiro viverá, em média, mais 22,5 anos. Entre os homens, a taxa cai para 20,7 anos; entre as mulheres, sobe para 24 anos, segundo novo estudo do IBGE. Diferenças à parte, o fato é que a entrada nos 60 desperta hoje expectativas e desafios bem distintos dos que existiam a pouco tempo atrás.
Quando nos referimos a tempo decorrido, usamos a forma do verbo “haver”: “há pouco tempo”, equivalente a “faz pouco tempo”. Tanto o verbo “haver” como o verbo “fazer”, nessa construção, são considerados impessoais, isto é, verbos sem sujeito. Por esse motivo, permanecem na terceira pessoa do singular.
Outro elemento importante: não se usa o advérbio “atrás” como indicação de passado quando se emprega a forma “há”. Você não diria “faz pouco tempo atrás”, certo? Pois então também não diga “há muito tempo atrás”. O advérbio pode ser usado como referência ao passado, mas, se for essa a sua escolha, não use o verbo haver, tampouco a preposição “a”.
Na prática, temos duas construções corretas. Veja:
Diferenças à parte, o fato é que a entrada nos 60 desperta hoje expectativas e desafios bem distintos dos que existiam há pouco tempo.
Diferenças à parte, o fato é que a entrada nos 60 desperta hoje expectativas e desafios bem distintos dos que existiam pouco tempo atrás.
Agora que você compreendeu que a forma “há” é usada para o tempo passado, observe o que acontece quando a expressão indica um intervalo:
A dois meses da eleição, o candidato renunciou.
Nesse caso, usamos a preposição “a”, que indica distância, ainda que medida no tempo. Queremos dizer que faltavam dois meses para a eleição quando o candidato renunciou. “Dois meses” é o tamanho do intervalo entre a renúncia e a eleição. Essa mesma preposição “a” aparece em “daqui a pouco” ou “daqui a dois meses”.
Esse “a” é o mesmo da construção que aparece na canção “A dois passos do paraíso”, da Blitz. Quer ouvir? Aqui.
Simples, não? Fique atento e capriche nos e-mails e mensagens de texto, evitando o uso incorreto. Até a próxima dica!
Professora, muito obrigado pela explicação! Os exemplos claros ajudaram muito a entender o assunto.
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Olá, professora Thaís.
É sempre um prazer ler seus posts claros e objetivos. Ainda que seja apenas para rememorar antigos conhecimentos.
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